Depressão

Boa noite.

Hoje, falemos de assuntos sérios.

Hoje não vos trago receitas, mas partilho uma história triste, de um Chef magnífico que no seu jeito de ser, rebelde, revolucionou cozinhas e mentes, fez-nos viajar entre lugares magníficos e mostrou-nos uma outra visão sobre a comida.

Após ver que o Chef Anthony Bourdain faleceu hoje, fez-me querer escrever este artigo.

Por vezes, na depressão queremos nos agarrar, manter à tona como um naufrago que tenta nadar por mais ar. Mas corremos sempre o perigo de não sermos compreendidos. A nossa impaciência parece agredir quem nos rodeia. Um simples momento de silêncio ou um carinho na hora certa é a ajuda suficiente. O mundo corre a passos largos e a paciência tornou-se numa coisa rara entre a nossa sociedade, corremos e vamos contra tudo e todos, o tempo parece estar sempre a deslizar entre os nossos dedos.

Bem, vou tentar não ser demasiado dramática, se bem que me é quase impossível; vamos por as cartas na mesa, abra o seu coração, respire fundo e deixemos claro que a ajuda é gratuita e que o amor pode vencer tudo.

A maior parte dos dias são apenas um nevoeiro na mente. Não vivi intensamente a escola como os meus colegas, de quem eu invejo puramente. Não foi um momento de descobertas para mim. Lembro-me perfeitamente que no início das aulas eu estava tão empolgada por começar e conhecer novas pessoas, mas depois mergulhava novamente na minha mente e acabava por desistir do curso. Saia da escola. Derrotada e impotente é como me sentia durante meses a fio. Eu tinha um temperamento terrível, e embora que nesta fase raramente entrasse em erupção, quando isso acontecia, esse temperamento assustava-me e a quem me rodeasse. Só Deus sabia o que corria debaixo da feroz disciplina e controlo emocional. Acho que a depressão ou qualquer outra doença mental que envolvesse psicólogos ou psiquiatras era a última coisa que me passava pela cabeça.

Como é possível juntar depressão com euforia? Como é possível experienciar o extremo da felicidade e o extremo da tristeza no mesmo dia, na mesma hora? Como explicar aos meus pais que eu não queria morrer, mas também não queria viver? 

A solidão ajudou-me a criar a minha própria identidade e vai continuar a reforçar o meu eu interior. Primeiro, é o choque- negação e raiva. Demora algum tempo para chegar à aceitação. É ouvir e ver que nada disso importa.

É a incapacidade de compartilhar o amor que esvazia por completo a alma.

É uma sensação estranha, familiar, mas estranha. É a batalha entre o querer sorrir e a vontade de dormir longas horas. Como se o brilho quisesse abafar o escuro, mas o escuro é tão vazio que não o permite.

A depressão leva à solidão, é invisível, silenciosa. É uma dor tão mal compreendida pela sociedade. Não a conseguimos escapar, como que uma sombra que faz parte de nós. Começamos a perguntar se existe um ramo de esperança que possamos agarrar; uma ideia de resgate que virá ao nosso encontro.

E com este desabafo que vos faço hoje, por favor, aceitem a depressão como uma doença que necessita de ser tratada com cuidado. Se virem alguém que necessita de uma mão,ofereçam-na ou encaminhem para quem a possa estender.

Não julguem, não apontem o dedo, amem e peço-vos, aprendam que o suicídio não é uma opção tomada com animo leve, mas sim uma tortura mental sem dó nem piedade. É desespero e solidão.

Se alguém ler este artigo e se sente triste, deprimido, só, por favor, procura ajuda. Apoia-te na tua família, nos que te amam, tenta, luta e por fim vence.

Sociedade: Por favor, sê menos crítica. Abraça a diferença e abre a mente.

 

Sempre vossa,

Rose**

 

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About Lucy Sophie Rose

Reacendi a paixão pela cozinha, após uma lesão que me levou a ficar em casa. Pôr a música alta, fechar a porta e cozinhar, fazer bolos, tartes, seja o que for que me apeteça fazer naquele momento. Pois é um momento só meu que irei partilhar com B. no final.
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4 Responses to Depressão

  1. Bia Ribeiro says:

    A morte do Tony Bourdain me impactou muito. A perda de alguém que admiro. O fim de mais uma vida de forma tão drástica por conta de um sofrimento insuportável. Saúde mental é realmente assunto sério. Escrevo sobre isso em meu blog, mas hoje fiquei sem palavras

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  2. Camille Siray says:

    Eu já tive início de depressão, foi muito complicado. Não saia da cama, não comia, não falas, não bebia nada…

    https://umcafeforte.wordpress.com

    Liked by 2 people

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